terça-feira, 3 de novembro de 2015

Mochizuke Chiyome

Mochizuke Chiyome foi uma notória ninja do Japão Feudal. Sim, existiram mulheres que foram samurais e ninjas e, embora não fossem maioria nem sejam tão famosas quanto seus colegas masculinos (embora eu duvide que se você perguntar para alguém na rua um nome completo de um samurai ele consiga responder), com certeza dá o que falar. 
Ela foi esposa de Mochizuke Moritoki (lembrando que no Japão normalmente se usa o sobrenome antes do nome pessoal), um samurai importante do território de Saku. Moritoki foi morto na Quarta Batalha de Kawanajima, no Período Senkogu, em que havia uma disputa de poder entre Takeda Shingen e Uesugi Kenshin. Vale constatar que esses dois são dois dos samurais e também, pessoas, mais importantes da história do Japão. 

Moritoki era inclusive sobrinho de Takeda Shingen (era comum na época os casamentos entre famílias para fortalecer ou criar alianças entre os clãs, muito semelhante ao que as famílias dos nobres europeus faziam durante a Idade Média ou Período Feudal. 
Chiyome passou a ser cuidada por Takeda Shingen (numa promessa feita para Moritoki que, caso ele morresse, Shingen teria que cuidar de sua esposa), que decidiu utilizar a mulher para recrutar outras e criar uma rede de kunoichi, que é o termo para mulheres ninjas. Uma estratégia que é a marca de Takeda Shingen, utilizar ninjas contra seus rivais. Vale ressaltar que os ninjas ao contrário dos samurais, agem nas sombras, sem apresentações, atacando pelas costas, roubando informações, sabotando e embora tudo isso os torne perversos, os ninjas possuíam sim um código de honra. 

A rede de ninjas de Shingen era muito eficaz em roubar informação e enviar mensagens para seus aliados sem que fossem interceptadas. 
As kunoichi faziam tudo que os ninjas normais, manuseio de armas, assassinato, roubo ou entrega de informação, mas também seduziam os homens, fosse para distraí-los ou o que fosse mais conveniente par ao momento. Chiyome também ensinava as funções de uma miko, espécie de sacerdotista, para assim passarem despercebidas, ou seja, era apenas um disfarce e que permitia que viajassem de um lugar para outro sem levantar suspeitas. Não só as tarefas e habilidades eram ensinadas, com também a religião para tornar completo o disfarce.Chiyome foi escolhida por pertencer a uma família muito ligada a escola de ninjas em Koga, fundada por Mochizuke Izomu-no-Kami (que alguns acreditam ser parente de de Chiyome). Ela passou a liderar um grpo que atuava na região de Shinshu onde hoje estão as cidades de Tomi e Nagano. Ela passou a recrutar prostitutas, órfãs e mulheres abandonas, resultada das guerras no período Senkogu que levaram seu marido. Aparentemente, na época, as pessoas não sabiam exatamente o que acontecia, acreditando apenas que ela estava dando uma segunda chance na vida para essas mulheres. 


Mas este não era o único disfarce, Chiyome por exemplo já se disfarçou de atriz, gueixa e até prostituta. Estima-se que a rede de Chiyome, leal a Takeda Shingen, chegou a possuir de 200 a 300 membras.
Foi no ano de 1564 que Takeda Shingen e Uesugi Kenshin, após 11 anos de batalhas recuaram ambos suas forças, terminando no que pode-se dizer, um empate. Takeda Shingen ainda apareceria para confrontar Tokugawa Ieyasu e Oda Nobunaga com seu plano de unificar o Japão, e realmente poderia fazer isso. Mas, ele adoeceu após uma batalha, numa morte envolta em mistério até certo ponto e a partir daí, não se há mais nenhum registro de Mochizuke Chiyome. 
Hoje, é uma das figuras que vem ganhando destaque na cultura pop, não só pelos animes ambientados nessa época do Japão, como também em jogos como Magical Gains e Assa

domingo, 25 de outubro de 2015

Sociedade da Guilhotina

Sabemos muito sobre a história política dos Estados Unidos e da Europa, não só pelos filmes e séries que recebemos na TV à cabo, mas também pelas aulas nas escolas, que querendo ou não, são eurocêntricas por causa que vivemos no Ocidente e Europa e América são mais esse assunto do que Ásia e África em si, mesmo com suas importâncias.
Bom, aqui no Brasil muita gente não sabe muita coisa sobre a história política, imagine então a do Japão. Quando o Xogunato Tokugawa caiu, e iniciou-se a Era Meiji, não foi só as ideias capitalistas, democracia e outras coisas dos Estados Unidos que entraram. Também entrou o socialismo e o anarquismo. Entre os que adotaram o anarquismo, está a Sociedade da Guilhotina, nome inspirado na Revolução Francesa, por causa da guilhotina que ceifou o rei Luis XVI, Maria Antonieta, Lavoisier e até o próprio criador dela, o Dr. Guillotin.
Claro que eles eram ilegais. Especialmente porque queriam acabar com a monarquia imperial, que nem os socialistas e comunistas, que também eram ilegais. Entre seus membros estavam Daijiro Furuta, Tetsu Nakahama, Genjiro Muraki, Tomioka Makoto e Kyutaro Wada. Eles eram de ação direta e simpatizavam com outros anarquistas, como Osugi Sakae e sua companheira Ito Noe (uma das primeiras e mais importantes feministas do Japão).
Tetsu Nakahama

Alguns casos notáveis envolvendo o grupo são o assalto a banco que eles fizeram para arrecadar fundos em 1923, em que um bancário foi morto e oito de seus membros foram presos.Daijiro Furuta estava no assalto e conseguiu fugir.
Em 1924, Tetsu Nakahama e outros tentam assassinar o presidente da Kanebo Co (que pelo que vi existe até hoje e é uma empresa de cosméticos), mas o golpe dá errado e todos que participaram da ação são presos.
Ainda nesse ano eles fizeram dois atentados contra o general Masataro Fukuda, numa tentativa de vingança pelo assassinato feito pelo governo contra Osugi Sakae e Ito Noe e o sobrinho dela, em que o general agiu sob ordens do imperador Hirohito. Kyutaro Wada foi o autor do primeiro atentado com um tiro que só feriu Fukuda. Genjiro Muraki e Daijiro Furuta explodiram a casa do general Masataro Fukuda, que não estava na hora. Uma delegacia e uma linha férrea foram explodidas na ocasião também, já que já estavam com a mão na massa mesmo.
Tomioka Makoto foi o autor de duas tentativas fracassadas de assassinar o imperador Hirohito para vingar o intelectual Osugi Sakae, Ito Noe, e o sobrinho dela de seis anos. Ele acabaria sendo preso e executado.
Em julgamento, Wada é o 4º e Furuta o 2º da
esquerda para a direita
Todos os membros no final acabaram presos. Os primeiros cativos da Sociedade da Guilhotina a polícia torturava para obter informações que os levassem até os outros. Daijiro Furuta, um dos membros mais importantes, foi preso, sentenciado à morte por traição e pela morte do bancário, sendo enforcado em 1926. Tetsu Nakahama seria executado pelas mesmas razões. Kyutaro Wada cometeu suicídio na prisão após prisão perpétua.
E foi assim que a Sociedade da Guilhotina foi extinta, lembrando o fim das guerrilheiras no Brasil durante a Ditadura Militar.
Não deixem de acompanhar o blog para mais histórias.


Cidade de Kokura

Oi gente, meu nome é Walter, meu nome do meio é Atsushi e meu sobrenome é Niyama. Como podem concluir, sou descendente de japoneses, vivi a minha vida toda no Brasil, mas sempre imaginei o Japão. Infelizmente, não consigo imaginar muita coisa boa quando vejo coisas do tipo "tentáculos", mas enfim, este é o primeiro post desse blog em que contarei alguma história ou fato interessante do Japão, à minha maneira.
Vamos então para o post sobre a cidade de Kokura. Kokura foi uma cidade independente até 1963, quando virou um distrito da cidade de Kitakyushu, ao se juntar a outras quatro cidades para formar está em questão. Foram as outras quatro: Moji, Tobata, Wakamatsu e Yahata.
Mas a cidade de Kokura é interessante mesmo pelo fato de ter escapado da bomba atômica. Como se sabe, Hiroshima e Nagasaki foram as únicas cidades povoadas que sofreram com as bombas atômicas, isso porque Kokura não foi atingida.
Acontece que havia outras cidades como alvo para as bombas, caso o avião estadunidense não conseguisse bombardeá-la, caso ainda não tenha entendido, se não desse para bombardear A, ia então bombardear B.
A Little Boy, primeira bomba atômica lançada pelos EUA, atingiu Hiroshima, que era o alvo primário. Kokura era o alvo reserva.
Eu tenho um tio-avô que perdeu toda a família em Hiroshima. Uma história bem triste, ele foi o único que sobreviveu. Ele, que foi o único da parte da minha família que veio para o Brasil e voltou ao Japão, construiu uma família e a perdeu. Triste mesmo. Na guerra, todos perdem.
Bom, Kokura sobreviveu, mas o Japão não se rendeu na época. Para tanto, os Estados Unidos lançariam mais uma bomba, e dessa vez Kokura era o alvo principal. A Fat Man, a segunda bomba, como sabemos, foi lançada em Nagasaki, isso porque o mau tempo (ou nublado pela natureza ou pela fumaça do bombardeio a cidade próxima de Yahata) impediu que o avião fosse para Kokura e tivesse que seguir para o alvo secundário, Nagasaki.
Do mesmo jeito que o tufão marítimo que salvou o Japão da invasão mongol foi chamado de Kamikaze, no Japão há o termo que é algo como "sorte de Kokura" que é usado quando algo aparentemente ruim acontece, mas que algo pior poderia ter acontecido.
Miyamoto
Mushashi
A cidade fica na ilha de Kyushu, a terceira maior ilha do arquipélago do Japão, no extremo sul. Linhas férreas ligam a cidade com Matsuyama e com a cidade de Busan, na Coréia do Sul. Hoje é uma cidade, que como muitas no Japão vive nos negócios. Kokura também é dividida em Kokura Kita ao norte e Kokura Minami no sul, tal divisão ocorreu após a junção para formação da cidade de Kitakyushu.
Durante o período Edo, em seu castelo, símbolo da cidade, governaram os daymios dos clãs Ogasawara e do clã Hosokawa. Miyamoto Musashi, o samurai mais famoso e autor do Livro dos Cinco Anéis (não, ele não é J.R.R. Tolkien), tanto que o principal dojo com os ensinamentos de Musashi fica nessa cidade, onde ele nesse período por um tempinho.
No fim da era do Xogunato Tokugawa, Kokura se fundiu com a cidade de Fukuoka, quando o Japão acabava com os feudos e colocava no lugar cidades com prefeituras. Após a fusão, Kokura voltou a ser autônoma em 1900.
São originários ou notórios residentes (mesmo que por um breve momento) de Kokura o escritor e ator Matsumoto Seicho, o médico e escritor Mori Ogai e o meteorologista Tetsuya Theodore Fujita. Além do escritor de mangás e criador de Capitão Harlock, Leiji Matsumoto e o também mangaká Tsukasa Hojo, criador de City Hunter.
Espero que tenham gostado deste primeiro post. Acompanhem o blog, e se gostaram deste, não deixe de conferir meu blog principal, o Waltlinia.